Para aqueles preocupados com níveis elevados de colesterol, novas pesquisas sugerem que uma potencial solução natural pode ser encontrada em frutas comuns como maçãs, mirtilos e cranberries. Um estudo recente identificou o ácido ursólico (AU), um composto naturalmente presente nesses alimentos, como tendo um potencial significativo para reduzir os níveis de colesterol, inibir a absorção intestinal de colesterol e melhorar a microbiota intestinal.
Pesquisadores realizaram experimentos usando hamsters com colesterol alto como modelo animal. Trinta e dois hamsters foram aleatoriamente divididos em quatro grupos: um recebendo uma dieta sem colesterol (NCD), outro recebendo uma dieta rica em colesterol (HCD) contendo 0,1% de colesterol, e dois grupos recebendo a mesma dieta rica em colesterol suplementada com 0,2% ou 0,4% de ácido ursólico (grupos UAL e UAH, respectivamente). A intervenção dietética durou seis semanas.
As descobertas revelaram que os grupos de hamsters suplementados com ácido ursólico mostraram uma redução significativa de 15-16% nos níveis de colesterol plasmático. Mais importante ainda, o composto demonstrou uma capacidade de inibir a absorção intestinal de colesterol em 2,6-9,2%. Experimentos laboratoriais adicionais explicaram esse mecanismo, mostrando que o ácido ursólico poderia deslocar até 40% do colesterol das micelas - aglomerados microscópicos que ajudam a transportar o colesterol durante a digestão.
Além de seus efeitos diretos sobre o colesterol, o estudo também examinou o impacto do ácido ursólico na composição da microbiota intestinal. Os pesquisadores descobriram que o composto reduziu a proporção de Firmicutes para Bacteroidetes bactérias - uma proporção tipicamente associada à obesidade e distúrbios metabólicos quando elevada. Adicionalmente, o ácido ursólico promoveu o crescimento de bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), que desempenham papéis cruciais na manutenção da saúde intestinal, função imunológica e metabolismo energético.
A equipe de pesquisa identificou várias vias pelas quais o ácido ursólico exerce seus efeitos redutores de colesterol:
- Ligação direta a moléculas de colesterol, reduzindo a absorção intestinal
- Modulação da composição da microbiota intestinal
- Promoção do crescimento de bactérias benéficas
- Inibição da proliferação de bactérias nocivas
Embora essas descobertas sejam promissoras, os pesquisadores alertam que ensaios clínicos em humanos são necessários para confirmar os efeitos do ácido ursólico em pessoas. No entanto, o estudo sugere que aumentar o consumo de alimentos ricos em ácido ursólico, como maçãs, mirtilos, cranberries e certas ervas (incluindo alecrim e tomilho), pode oferecer potenciais benefícios à saúde para o controle do colesterol.
As direções futuras de pesquisa devem se concentrar em:
- Realização de ensaios clínicos em larga escala em humanos
- Investigação adicional dos mecanismos de modulação da microbiota intestinal
- Desenvolvimento de produtos alimentícios ou suplementos ricos em ácido ursólico
Para indivíduos com diagnóstico de colesterol alto, os especialistas enfatizam que as abordagens dietéticas devem complementar - e não substituir - o tratamento médico, e quaisquer alterações dietéticas devem ser feitas em consulta com profissionais de saúde.